sexta-feira, 8 de março de 2013

Morando com a Mãezinha do Céu

       
   Foi assim, meio que do nada, bateu uma saudade de tudo aquilo que eu não pude viver. A vida não me permitiu. Dizem que a morte não é tão doída quando já se espera por ela. Eu não sei, eu não pude me preparar para isso. Ela veio naturalmente e te levou.
Não lembro de muita coisa, mas imagino. E  a minha imaginação não tem limites, ela vai até o fundo do meu coração para tirar de lá os sentimentos mais profundos, e muitas vezes, os mais doloridos. Sentimentos que eu nem lembrava que existiam.
  Queria tanto me lembrar como era seu sorriso, o seu toque mesmo sem poder me ver. Vejo em minha mãe e a ouço dizer, que a forma de prender o cabelo para trás, é o mesmo. Consigo ver por fotos, o quanto você era linda! Um rosto forte com um olhar necessitado de amor.
 Não me lembro de sua voz, vovózinha! Mas posso sentir o gosto do doce de maçã da tia Joaquina, ela e seus outros filhos me garantem que a receita não mudou.
 A única coisa que eu me lembro, é da senhora deitada em um caixão, com um tercinho entre os dedos. A família toda chorava, e quando eu perguntei o motivo de tantas lágrimas, respoderam-me assim: "A vovó foi morar com a Mãezinha do Céu." No momento, não entendi muita coisa. Mas hoje, que já sou maiorzinha e já consigo organizar minhas ideias, penso: "Morar com a Mãezinha do Céu é motivo de lágrimas?".
  Sei que não é, e não deixo de lembrar da senhora quando vejo uma vovózinha com um terço nas mãos. Vó, o texto está chegando ao fim, mas quero pedir uma coisa: olha pela gente daí do Céu, e pede para a Mãezinha de Jesus cantarolar esta canção com a gente:
   
 Mãezinha do Céu, eu não sei rezar. Só sei te dizer, que quero Te amar. Azul é Seu Manto, branco é Seu Véu. Mãezinha, eu quero te ver lá no Céu. ♫



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