quarta-feira, 15 de maio de 2013

Não basta ler!

"Mas a senhora lê e eu vivia, no livro da vida não se volta, quando se quer, a página já lida, para melhor entendê-la; nem pode-se fazer a pausa necessária à reflexão." (Trecho de Lucíola, José de Alencar.)

   Vejo o quanto me enganei, mas quem é que não se enganaria, caso estivesse em meu lugar? Talvez uma pessoa mais sensata e racionalizada. No entanto, uma pessoa como eu, fervorosa e nada branda nos sentimentos, creio que se deixaria levar pela pressão constrangedora do momento.
     Das decepções, tento tirar-lhe o benefício que me resta. Pego tudo de proveitoso e coloca em uma malinha e vou viajar. Faço isso para que eu possa na próxima viagem, usar tudo o que lá coloquei, à meu favor. É claro que sempre falta algum sentimento ou outro, e é nessa hora, que eu meto os pés pelas mãos e normalmente caio.
 Não tem importância - tá, até tem - mas levanto-me cheia de hematomas, e espero o próximo bonde passar. Você deve estar se perguntando o porquê do bonde e não avião, que é incomparavelmente mais rápido. Eu te respondo: vou de bonde porque ele chega devagar e posso levantar-me com calma, o avião seria muito veloz para a minha dor. Vou devagarzinho para à estação, fico sentada em um dos bancos e dou a oportunidade de um outro alguém vir me acompanhar.
  Às vezes, aceito o rumo da minha companhia e só percebo que desci na estação errada, quando já estou vivendo na cidade. Mas é como o velho Alencar dizia: "Mas a senhora lê e eu vivia".

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