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| Cena do filme "Obaba", Montxo Armendáriz, 2005. |
Quarta-feira, 22 de maio de 2019. Dia nublado em uma cidade constantemente solar. Faço o meu caminho de todos os dias até chegar à escola. Estou ansiosa pelo dia letivo que se inicia. Passo pelas turmas, uma após a outra. Primeiro, segundo e terceiro tempo. Recreio? Estou junto aos professores mas com o coração naquela turma. A minha turma. Sino tocou e mencionou que era hora de voltarmos à sala. Estou feliz, tenho muitos planos para a classe. A minha classe. Cumprimento-os carinhosamente e adianto que teremos uma longa manhã, afinal, pegarei a aula de um professor que precisou se ausentar.
- "Oba! Terei a oportunidade de apresentar novos conteúdos". Pensei.
Escrevo na lousa "Nazismo". Há tanto o que se falar sobre esse assunto... Pretendo iniciar a explicação através de Anne Frank. Que menina amável!
- "O Nazis...". - Começo.
- "Professora, fulano está me batendo!". - Alguém grita.
- "O nazismo aconte...". - Tento continuar.
- "Sôra, ciclano saiu sem avisar".
- "Crianças, parem!". Peço.
Sem aproveitamento. Resolvo explicar o trabalho que farão, talvez assim, eles resolvam prestar atenção. Não adianta. Eles não silenciam. Grito. Eles gritam mais ainda. Estou cansada. Alguns me ajudar a pedir silêncio. Não dá. Sinto bate, troca de professor. Coordenadora na porta: "libera os alunos". Acabou minha aula.
- "Tragam as cartolinas". Eu falei. Foi a única coisa que consegui falar.
Foram embora. Apagando o quadro, alguns me abraçam "professora, não vou fazer mais isso", "não fica triste", dizem. Seguro as lágrimas e me pergunto: quem fez eles se perderem?

Tenho quase certeza que isso foi na minha sala ;-;
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