A tartaruga
Gosto do meu silêncio. Não daqueles que as
circunstâncias me dão, mas daquele que eu escolho. Como me faz bem chegar em
casa após um dia de estágio em uma sala de 30 alunos e me deparar apenas com os
meus animais me esperando. Abro com calma as portas, adentro o quarto, observo
as folhas da mangueira se balançando e penso o quanto me falta para me tornar
uma adulta responsável e feliz. "Essas duas características... serão
possíveis juntas?" Fico pensando.
Um
olhar para o relógio basta para que eu me lembre que o almoço está na
geladeira. "Talvez uma salada de couve-flor", falo para mim mesma como
quem organiza as ideias. Retiro as panelas, ponho-as no fogão enquanto ouço o
ruído da comida esquentando. Tudo pronto. 11 horas. Ligo a televisão e percebo
pelo jeito de falar do apresentador no telejornal que a vida lá fora está
corrida. Assaltos, ausência de saneamento básico, atrasos no ônibus... Uma
desolação social. Como viver em um mundo tão dado para a luta? Como eu que sou
tão aquém de situações que demandam celeridade pode viver em um local assim?
Não sei como... Mas tampouco imagino que em outro lugar possa ter o silêncio
que desejo. "Talvez tudo seja resolvido dentro de mim". Talvez.
Nenhum comentário:
Postar um comentário